quarta-feira, 29 de julho de 2009

PIGS?!

Uma das grandes queixas de quem decide vir viver para o Reino Unido, seja qual for o propósito, é de que as casas são pequenas. E são. Pagamos um balúrdio por um apartamento, e as divisões são escandalosamente pequenas. Vivi numas quantas casas, visitei outras, dentro e fora de Londres, de amigos e conhecidos, e chego à conclusão que em Portugal vivemos em palácios.

Muitos africanos, brasileiros e asiáticos me têm dito isso mesmo, que no seu país vivem muito melhor. Como tal, logo que acabam os estudos, ou consigam juntar determinada quantia, voltam para os seus países. Muitos australianos dizem o mesmo, a aventura no Reino Unido é só por uns tempos, para ganhar experiência na Europa. Depois, voltam às suas belas casas, com jardim e piscina, sim porque ter piscina na Austrália não é luxo. É mais ou menos como ter sauna na Finlândia.

E sempre que tenho esta amena troca de ideias, com pessoas de outras partes do mundo, sinto-me deprimida. Vou chegando à conclusão que existem, neste momento, três tipos de países:

os emergentes (Brasil, Angola, India, China etc), cujas economias crescem a olhos vistos, e onde existem cada vez mais oportunidades de emprego;

os entalados (Portugal, Grécia, Espanha, Itália, entre outros), que não saem do marasmo, que não conseguem crescer, que não oferecem oportunidades;

e os ricos em recessão (EUA, Japão, Reino Unido, Alemanha), onde mesmo em recessão vão-se safando, e vão havendo oportunidades em determinadas áreas.

Isto leva-me a concluir que os cidadãos dos países emergentes, que agora têm dificuldades em arranjar vistos, e fazem imenso esforço para poder estudar na Europa, não vão precisar da Europa no futuro. Só se for para vender o que produzem. Os entalados estão...entalados, portanto um regresso a Portugal parece cada vez menos possível, embora sinta a falta de tanta coisa, e os ricos em recessão vao-se desenrascando. Ou seja, quem vê com dificuldade a possibilidade de voltar ao seu país são os cidadãos dos países 'entalados', a que o FMI chama 'carinhosamente' de PIGS (Portugal, Italy, Greece and Spain).

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