sábado, 21 de janeiro de 2017

Palácio de Blenheim, 20 de Janeiro de 2017

"Querido filho,

São agora 2:50 da tarde e ontem completaste 9 meses. Estou sentada à janela do quarto onde nasceu um grande estadista do século XX, o senhor Winston Churchill. Aproveitei que andavas a mostrar sinais de fadiga, e a necessitar do teu soninho da tarde, para preparar o teu leite neste cantinho. Ninguém me disse que não podia aqui fazê-lo. Estás deitado ao meu lado, no teu carrinho, e agora dormes uma bela soneca. O quarto está pouco iluminado; deve ser para que o sol não estrague o papel de parede, os quadros e as madeiras, para que possam continuar a mostrá-lo ao Mundo. Olho para a cama onde nasceu o senhor Churchill, e para a cadeira onde a mãe se sentou com ele pela primeira vez, e desejo, meu filho, que te inspires nos grandes estadistas.
Sabes, é uma coincidência mas hoje, do outro lado do atlântico, toma posse um presidente que não nos inspira... Os tempos são de muita parra e pouca uva de qualidade... Espero que sejas um homem de paz. Que a diversidade e a diferença da raça humana sejam para ti uma fonte de curiosidade, e não de medo. Que procures ter bons princípios e ser feliz, para assim fazeres felizes os que te rodeiam. Tão descansado é o teu soninho que suspeito que a essência do senhor Churchill te está a fazer bem.

Tua mãe" 


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A Madeira, Maximiliano e a Princesa Maria Amélia

Uma história de amor bonita e bem contada, mesmo que manchada pela tristeza, gera sempre curiosidade. E foi com essa curiosidade que descrobri uma princesa que não conhecia, um aristocrata que se tornou o primeiro imperador do México e a ligação de ambos com a Madeira.
Vamos por partes. Aqui há uns anos, quando trabalhava na minha ilha, fiquei a saber que a casa real da Suécia apoiava financeiramente o Hospício Princesa D. Maria Amélia, no Funchal, que hoje funciona como jardim de infância, escola primária, lar de idosos e orfanato. A rainha Silvia da Suécia e a sua filha, princesa Victoria, já estiveram na Madeira a visitar o hospício. Só não sabia a razão de ser do apoio. Agora que sei vou partilhar a história.
Maria Amélia era uma princesa do Brasil. Era filha única do segundo casamento do Imperador D. Pedro I do Brasil, (D. Pedro IV de Portugal) e da sua esposa dona Amélia de Beauharnais. Maria Amélia nasceu em Paris em 1831. Quando tinha apenas um mês, o seu pai foi a Portugal para lutar pela coroa portuguesa e restituí-la à sua filha mais velha, a Rainha D. Maria II. Ficou orfã de pai ainda nem tinha 3 anos, pois D. Pedro morreu de tuberculose.
Princesa Maria Amélia (1831-1853)
Após a morte do pai, a princesa Maria Amélia ficou a viver em Portugal porque no Brasil não era reconhecida como membro da casa imperial, por ter nascido no estrangeiro. Só foi reconhecida em 1841. A mãe não voltou a casar e ficaram a viver em Lisboa no Palácio das Janelas Verdes. Dedicou-se à educação da filha e não voltaram ao Brasil. Maria Amélia cresceu e tornou-se uma jovem educada, inteligente e muito bonita. Desenhava, pintava, tocava piano e falava português, francês e alemão. Vivia com a mágoa de ter perdido o pai tão cedo.
Dada à sua posição e conexões familiares, convivia com membros da realeza europeia e conheceu, em Munique, em 1838, o arquiduque Maximiliano da Áustria. Entre 1838 e 1850 viajou pela Europa com a mãe, visitando familiares que pertenciam a diferentes casas reais. Em 1852, Maximiliano veio a Portugal visitá-la. As suas famílias tinham ligações de sangue pois a mãe de Maximiliano era meia-irmã da avó de Maria Amélia, sendo por isso tia-avó da princesa. Eles apaixonaram-se e ficaram noivos, embora o noivado não tenha sido oficialmente anunciado.
Arquiduque Maximiliano e a sua esposa princesa Carlota da Bélgica

Em 1852, Maria Amélia contraiu escarlatina e ficou com uma tosse persistente que não desapareceu durante meses. O médico da família real aconselhou-a a ir para o Funchal passar uma temporada. O clima da ilha era conhecido por ser benéfico para o tratamento da tuberculose. Há fontes que dizem que foi o próprio Maximiliano que a aconselhou a ir para a Madeira, pois já tinha visitado a ilha. O arquiduque era irmão do Imperador da Áustria, Francisco José, e por isso cunhado da Imperatriz Sissi. Terá sido ele que também aconselhou Sissi a procurar os ares da Madeira, quando as tosses e a depressão lhe afectaram.

A princesa Maria Amélia chegou com a mãe à Madeira em Agosto de 1852. Uma multidão eufórica lhe veio dar as boas vindas. Apesar de doente, Maria Amélia gostou muito da Madeira. Dizia mesmo que se recuperasse a saúde, queria voltar para fazer caminhadas na montanha e passar mais tempo na ilha, para descobrir os seus encantos. Infelizmente a saúde não melhorou e faleceu com 22 anos, no Funchal, em Fevereiro de 1853.

Imperatriz Amélia de Beauharnais (mãe da princesa Maria Amélia)
Maximiliano ficou muito afectado com a perda da sua amada e passou a usar um anel com um cacho de cabelo da princesa. Casou por conveniência com a princesa Carlota, a filha do rei da Bélgica, mas nunca esqueceu a princesa Maria Amélia. A prova disso foram as viagens que fez, mesmo depois de casado, pelos lugares que a princesa Maria Amélia visitou. Maximiliano esteve na Madeira várias vezes e escreveu o seguinte:

“Here died, of tuberculosis, on 4 February 1853, the only daughter of the Empress of Brazil, an extraordinarily gifted creature. She left this flawed world, pure as an angel who returns to Heaven, her true native land.” 

Após a morte da filha, a imperatriz Amélia de Beauharnais decidiu que queria perpetuar a sua memória e ajudar os que mais precisavam. Quis então construir um hospital para os doentes tuberculosos mais pobres. O edifício começou a ser edificado em 1856 e em 1862 já recebia doentes. Chamou-se hospício Princesa D. Maria Amélia e funciona até hoje. Maximiliano visitou o espaço e financiou o hospital durante vários anos. O arquiduque também visitou a casa onde faleceu a princesa Maria Amélia, a Quinta Vigia, que é hoje sede do governo regional da Madeira. Fica situada a pouca distância do hospício. Nas suas memórias escreveu o seguinte:

 “the life [was] extinguished that seemed destined to guarantee my own tranquil happiness”.

 Hospício Princesa Maria Amélia, Funchal

A imperatriz Amélia de Beauharnais apoiou financeiramente aquela obra social até morrer. Quando sentiu que a saúde lhe começava a faltar, pediu à sua irmã, a rainha Josefina da Suécia e Noruega, que em memória da princesa Maria Amélia continuasse a apoiar o hospício quando a imperatriz morresse. A rainha Josefina assim o fez e, anos mais tarde, tornou formal o apoio financeiro da casa real sueca. Por sua vez, o arquiduque Maximiliano acabou por ter um fim triste. Chegou a ser coroado primeiro Imperador do México mas, ao fim de três anos, foi assassinado. Maria Amélia e a mãe foram sepultadas em Lisboa. 130 anos mais tarde, em 1982, os restos mortais foram trasladados para o Brasil e está sepultada no Convento de Santo António, no Rio.
Capela do Hospício

Placa 
Em Outubro do ano passado, numa bela manhã de sol, estive na Madeira e fui visitar o hospício. Tem um lindo e denso jardim que é perfeito para relaxar e ver passar o tempo. Do edifício apenas se pode visitar a pequena e bonita capela. Todas as outras áreas, por questões de privacidade, estão vedadas ao público. Mas nem que seja só para ver o edifíco do exterior e pela visita ao maravilhoso jardim, vale a pena lá ir!



domingo, 8 de janeiro de 2017

Mário Soares (1924-2017)

A idade avança e percebemos que o normal, e desejável, é que tenhamos críticos e inimigos. Só deixamos marca se esmiuçarmos, se questionarmos, se combatermos e decidirmos. Mário Soares foi, sem dúvida, o Estadista e o maior político português do último século. Para o bem e para o mal, é impossível exagerar na importância do seu legado. O pai da democracia era também um optimista que sempre acreditou no seu país. Paz à sua alma!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

E foram felizes para sempre...Not!

Quando se lê o diário/blogue de alguém durante anos, é porque gostamos do que lemos e há gostos, valores, e formas de estar na vida com as quais nos identificamos. Aquela pessoa acaba por ser um cruzamento entre conhecida e amiga. No meu caso, há pessoas que se tornaram mesmo amigas de carne e osso. Vibramos com as conquistas mas também sentimos as falhas e tristezas.  
As cenas dos próximos episódios são uma manta de retalhos ilustradas, que se vão construindo de palavras e imagens. São os momentos que guardamos na memória, e no coração: aquele acto romântico, da mulher ou do marido, a fotografia no tal sítio, as prova de amor e amizade, que damos e recebemos, o vestido de noiva, a viagem de sonho, o fim-de-semana de aventura, o desemprego na família, os filhos, as amigas, os pais e a vida. E os leitores vibram, fantasiam, fazem figas e querem acreditar que esta é uma relação de gente real, de vida muitas vezes mundana, com dificuldades várias, mas também de amor e alegria. A tal história do "e foram felizes para sempre" com que é tão mais fácil de simpatizar, e de sonhar, do que concretizar.
O ano que passou levou consigo muitas celebridades mas também enterrou alguns 'finais felizes'. Vou continuar a fazer figas pelo amor e pelos casais que conheço, gosto e admiro. Porque estas separações deixam-me triste. Mesmo triste...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

sábado, 31 de dezembro de 2016

Feliz Ano Novo

2016 foi um ano estranho. De muitas perdas e muita dor, embora não fossem situações que me afectassem directamente. De há uns anos para cá parei de fazer balanços. Andava tão consumida pelas agruras que me afligiam, e pela dor que me causavam, que vivi bastante tempo em modo piloto automático. Lidava com o que tinha de lidar, respirava fundo e ganhava fôlego para as tempestades seguintes. Ontem fiquei com vontade de me sentar e reflectir. De escrever para mim, de me localizar no tempo e no espaço, e definir objectivos para o novo ano.
Ainda bem que 2016 está a acabar. Quero ver mais esperança no rosto e atitude das pessoas que amo, e para quem este ano foi murcho ou até violento. Da minha parte, prefiro pensar nestes dois momentos que me deram muita alegria em 2016: o nascimento do meu filho e a conquista do Europeu!

Resta-me desejar a todos boas entradas em 2017. Que seja um ano de boa saúde, muita perseverança e com momentos doces.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Feliz Natal a todos

O Natal é daqui a dois dias e este ano não estive muito por aqui. Mas continuo a gostar deste cantinho, mesmo que às vezes a porta esteja fechada ou entreaberta. É por isso que venho desejar a todos um Natal muito feliz, junto dos que amam, com paz e amor. E basta!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Morden Hall Park - tão perto e tão bom



Agora que os dias andam quentes e risonhos, aproveitámos para ir passear ao Morden Hall Park, um parque muito simpático que fica a 10 minutos de casa. E, pelos vistos, é tão popular como pensávamos. Para além do extenso espaço verde, das pontes e cursos de água, o parque tem um café muito simpático, onde se pode almoçar, lanchar ou simplesmente comer um gelado, e uma livraria de livros usados grande e muito tentadora. É gerida por voluntários, quase sempre idosos. Havia muita gente a fazer piqueniques, a ler e a andar a pé, mas sem enchentes pois o espaço é bem grande. Gostei muito e temos de repetir!

domingo, 31 de julho de 2016

Casa

Casa é família. É lareira e mesa farta, é madeira e sofás fofos. É uma chávena de café quente, o cheiro a bolo no forno. Casa é cama, lençois lavados, sorrisos matinais, pão fresco, livros, muitos livros em todo o lado. Casa é conforto, é sul e norte, são noites de trovoada na cama. Casa é sossego!

sábado, 23 de julho de 2016

Tempos doces

Na quinta-feira, uma manhã inteirinha só para mim. Caminhada, compras e um spa-pedicure. Ontem, uma tarde na piscina, seguida de café e leituras. Sozinha e tão feliz!


sexta-feira, 8 de julho de 2016

segunda-feira, 4 de julho de 2016

DisUnited Kingdom

O Reino anda mais desunido que nunca. E eu com umas saudades imensas deste cantinho. 
Vim limpar a poeira. Mas nada prometo!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O 'Paul' e as nossas padarias!

Uma determinada revista online escrevia, por estes dias, que a pastelaria francesa 'Paul' vai abrir na baixa de Lisboa. Já existia no aeroporto, mas agora fica ao alcance de muitos mais, no simpático centro da cidade. 
Até compreendo que a abertura destas cadeias, bem implantadas noutras grandes capitais europeias, nos façam sentir mais próximos dessas metrópoles e do conceito de 'aldeia global'. O Starbucks é outro exemplo. 
Mas vivendo em Londres há 12 anos, e sabendo da dificuldade que é encontrar um sítio simpático, onde se possa lanchar com a qualidade e diversidade que se tem em Portugal... Em cada rua -quase- há uma padaria/pastelaria de fabrico próprio, e de grande qualidade. Será que os meus compatriotas sabem a sorte que têm?
Ir ao 'Paul' pagar três vezes mais? Ir beber o café do Starbucks, que não chega aos pés dos nossos galões bem tirados? Estando de férias em Portugal nunca será opção para mim. Nem aqui vou ao Starbucks, acho o café do Costa e do Pret a Manger muito melhor.
Claro que não sou contra a abertura destas e de outras cadeias, geram alguns empregos e para os turistas são sempre pontos de referência. Mas espero que isso não implique, a médio prazo, o desaparecimento dos nossos espaços, tão bons e genuínos, e que estas modas não ofusquem o que temos de melhor. Das vezes que, em Londres, fui ao 'Paul' tomar o pequeno-almoço, foi sempre por ter saudades das nossas padarias, e não as ter por perto!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Jorge Amado, Paris e as meninas do Bataclan

Quando era pequena, ouvi falar da palavra Bataclan. Popularizou-se em Portugal depois da exibição da telenovela 'Gabriela Cravo e Canela', baseada no romance do grande Jorge Amado. Era a casa da lanterna vermelha, o cabaré onde as meninas se prostituíam. Durante anos ouvi a expressão 'putas do Bataclan', em outros contextos e quase sempre anedóticos. Nunca vi a telenovela ou li o livro, uma falha que tenho de corrigir.
O meu moço é sul-africano, filho de portugueses, e veio para Portugal já adolescente. Embora fale e escreva muito bem português, existem vários acontecimentos, tendências e músicas, dos anos 80, que lhe dei a conhecer. Faziam parte da minha infância em Portugal, e passaram-lhe completamente ao lado, por razões óbvias, na África do Sul, onde as referências eram bem diferentes.
Um dia falei-lhe das 'putas do Bataclan', e do enorme sucesso da telenovela. Isto muito antes dos recentes atentados de Paris, na também sala de espectáculos Bataclan. O moço chegou um dia a casa e disse: o que aconteceu em Paris é triste. Mas quando falam do Bataclan nas notícias, fico sempre com vontade de rir, que raio de nome...
Eu tenho uma teoria. Jorge Amado viveu imenso tempo exilado no estrangeiro, era comunista e foi perseguido no Brasil. Ele viveu em Paris de 1947 a 1950. O livro 'Gabriela Cravo e Canela' foi publicado em 1958. Penso que Jorge Amado usou o nome da sala de espectáculos parisiense para baptizar a casa de meninas da Bahia...

sábado, 16 de janeiro de 2016

Eça de Queirós - Maria Filomena Mónica

Levei uns meses para conseguir acabá-lo. Não porque não me prendesse, é aliás uma excelente biografia, incortornável mesmo para os fãs do escritor. A demora deve-se a outras leituras profissionais que se impõe, e vêm quase sempre acompanhadas de um prazo para executar qualquer coisa.
Gostei muito desta obra. Maria Filomena Mónica mostra ser uma investigadora de qualidade, ou não fosse uma académica, e os traços da personalidade de Eça, assim como os pormenores sobre a sua vida familiar, ajudam a perceber a sua visão do Mundo. Era português mas era sobretudo um cidadão do Mundo.
Outro pormenor de que gostei é que a autora quando não sabe, por não ter conseguido mais informação, não inventa. Pode dar uma interpretação mas explica ao leitor que a informação disponível era aquela, e que as divagações sobre o assunto não passam disso mesmo.
Não sabia que os últimos meses de Eça tinham sido tão solitários, e sofridos, devido à doença. Andou na Suiça para ser consultado por vários médicos, e viajou sozinho pois a esposa ficou em Paris a tomar conta dos filhos, dois deles estavam também doentes. Quando Eça regressa a Paris, estava muito debilitado. Emília, sua esposa, entra num pranto de lágrimas ao perceber que o marido estava pior, e não viveria muito mais tempo.
Se tivesse que destacar apenas um aspecto desta biografia, diria que fiquei com um grande desgosto por descobrir que todos os escritos pessoais de Eça estão no fundo do mar. Sim, isso mesmo. Após a morte do marido, Emília decide deixar Paris e regressar a Portugal. 
O recheio da casa onde habitavam, e onde se incluíam, para além dos móveis, toda a biblioteca de Eça, e os seus escritos pessoais, seriam enviados para Lisboa no navio Santo André. A 24 de Janeiro de 1901, o mau tempo na entrada em Lisboa fez com que o barco naufragasse. Para o fundo do mar foram quadros de Carlos Reis, Malhoa e Veloso Salgado, para além de um quadro de Columbano onde Eça era retratado. Que pena. Será que nunca tentaram encontrar o barco e recuperar alguma coisa? Não sei. Sei é que este episódio não me saíu da cabeça durante uns dias.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal!


Este cantinho anda meio que abandonado. No entanto, não poderia deixar passar esta quadra sem desejar aos resistentes, que aqui passam, um excelente Natal, com amor, alegria, saúde e junto dos que amam. Sejam felizes!

sábado, 28 de novembro de 2015

Dorset - 'Far from the madding crowd'

Fomos passar o último fim-de-semana a Dorchester, no condado de Dorset. Uma visita a amigos que deixaram Londres, há uns meses, e assentaram arraiais no sul de Inglaterra. Esta zona também é conhecida por ser o condado onde nasceu, e cresceu, o escritor Thomas Hardy. A sua casa/museu fica a 10 minutos da casa dos nossos amigos. 



E que beleza de lugar. Fiquei super feliz por eles, têm tanto por onde escolher, desde vilas históricas rurais a passeios à beira-mar, e com paisagens que nos fazem querer parar e ficar. Visitámos Dorchester, Lyme Regis, Portland Island e Weymouth. Ainda foi bastante para dois dias. Claro que ficou muito por ver, e queremos voltar quando for possível.


Ontem à noite foi dia de filme e vimos o 'Far from the madding crowd', que tem Dorset como cenário e é baseado num romance de Thomas Hardy. O filme conta a história de uma jovem independente, dinâmica e trabalhadora que recebe uma herança sem esperar, e tenta se afirmar como gestora numa sociedade dominada pelos homens. Engraçado que tantas vezes as melhores opções estão ali tão visíveis. No entanto, procuramos outros longos e dolorosos caminhos para depois voltarmos ao que está certo. Gostei muito do filme!


sábado, 4 de julho de 2015

I love Formentera

De há uns tempos a esta parte, tenho vindo a cimentar a ideia de que é um disparate gastar milhares de euros para ir para destinos de praia longínquos, nas Caraíbas ou no oriente. Há na Europa do sul praias tão espectaculares que acho uma falta de bom senso gastar tanto para ir, por exemplo, uma semana para as praias da Républica Dominicana, Tailândia ou Brasil. 

Viajar para sítios diferentes, fazer-se à estrada para explorar países e incluir uns dias de praia tudo bem. Por exemplo, fazer uma grande viagem pelos Estados Unidos ou Brasil, e acabar uns dias nas praias em Miami ou na Califórnia, ou fazer um Safari no Quénia e ficar uns dias nas praias em Mombassa, acho a cereja no topo do bolo. Agora passar 10 horas num avião para alapar o rabo numa praia não me parece... E esta ideia se solidificou depois de ter passado uma semana na bela ilha de Formentera.  
Há muito tempo que não era tão feliz com mar, areia, sal e calor. O melhor de tudo é que fica a duas horas de Londres, ou uma hora de Portugal, e as praias são tão fantásticas, ou melhores, que as de Cuba, Mexico, Bali ou Califórnia, para falar de destinos onde já estive.
Então falemos de Formentera. A ilha hippie, sem aeroporto e cuja ligação ao Mundo passa por Ibiza e um barco. 




O tempo estava magnífico, sempre à volta de 30 graus, a ilha é pequenita mas tem várias praias de sonho, e alguns 'pueblos' com casas branquinhas e lojas de perder a cabeça. Tem cerca de 12 mil habitantes e 83 km2, a Madeira é 10 vezes maior.




Nunca me lembrei que estava em Espanha. A ilha está carregada de italianos. Nao só os turistas mas também os donos e funcionários das lojas, hotéis e restaurantes. Parece que os vizinhos mediterrânicos descobriram ali um paraíso e assentaram arraiais. 

Ouve-se muito mais italiano do que espanhol. Também se ouve alemão, turistas britânicos não me lembro de ver ou ouvir. Apenas os que apanhei nos vôos para Ibiza, de e para Londres. Fiquei hospedada em La Savina, a zona do porto que é também um excelente ponto de partida para explorar a ilha.



E os dias passaram-se nas praias de àgua cálida e areia fina. Adorei sentir o isolamento de Formentera. Estava cheia quanto baste, e deve ficar muito mais cheia agora em Julho e Agosto. Mas não há turismo de massas, grandes grupos ou resorts.
As pessoas alugam casas ou apartamentos, há hotéis de charme mas não grandes resorts para 500 pessoas, e alugando uma vespa ou carro vai-se explorando a ilha. Ou para os afortunados da vida, é trazer o iate e abancar numa das praias. Havia muitos russos e iates de luxo.



Amei as lojas. Acho incrível que uma ilha tão pequena tenha tanta qualidade e quantidade de lojas, com roupas e acessórios com um toque étnico, toalhas de praia que mais parecem obras de arte, belos sapatos de verão, artigos de decoração para casa muito originais e tantas coisas mais.

Se forem a Formentera têm de visitar a loja ‘Encantes’, que fica no pueblo mais turístisco de Es Pujols. Acho que nunca vi tanta coisa gira num só espaço. É de perder a cabeca, acho que fui lá todos os dias. E claro comprei um fio e uma mala maravilhosos. Para me recordar de dias muito felizes. 




Há uma boa variedade de restaurantes onde se come bem. Um sítio de tapas deliciosas e imperdível é o 'Grand Iberico', também em Es Pujols, um espaço relaxado onde se partilham tapas num ambiente muito descontraído. O presunto e o queijo eram muito bons, assim como as saladas, os rissóis e a típica tortilla espanhola. Estava sempre cheio, o que é um bom sinal.


Todos os dias fomos a uma praia diferente. E todos os dias a praia era melhor do que a do dia anterior. A maior freguesia, ou pueblo, é S. Francisco Xavier onde passei uma manhã. Fomos tomar um brunch num sítio simpático, visitámos a Igreja e depois as ruas com lojas e mais lojas.

Formentera não é um sítio para grande vida nocturna e discotecas. Quem quiser isso deve ficar em Ibiza. Há obviamente discos mas o ambiente é mais de bares e gente nas ruas, nas tasquinhas ou a ver as lojas, que fecham sempre bastante tarde, de muita praia e bares de praia, onde a malta vai ver o pôr-do-sol. 



 Quero, espero, voltar a Formentera muitas vezes. É uma ilha muito romântica e ideal para ir a dois, ou em família. Por mim, seria o sítio para descanso de Verão uma semana por ano. Quase como Porto Santo mas melhor, porque gostei mais das praias, (e melhor que Porto Santo é difícil) e porque me dá um anonimato de que gosto quando estou de férias.

domingo, 14 de junho de 2015

terça-feira, 28 de abril de 2015

terça-feira, 7 de abril de 2015

Marmelada de marmelo

Desde que me lembro, na porta do frigorífico da casa dos meus pais havia sempre uma lata de marmelada de marmelo. Raramente comia, talvez uma ou duas vezes por ano, mas a minha mãe gosta e, volta e meia, barrava uma fatia de pão. Como era praticamente só ela a consumir, a lata durava bastante tempo.
Ontem abri uma lata de marmelada que tinha na despensa, que tinha trazido de Portugal. Estava com saudades da minha mãe. Barrei uma fatia de pão e comi. Claro que continuo com saudades, mas isso são outros contos!