segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tão pertinente...

Edição sem editores - Crónica de Pedro Mexia

"(...) Esta nova ideologia da edição consiste em avanços generosos, grandes tiragens, autores de sucesso, pressão comercial, anti-elitismo, mercantilismo infrene. Alguns dos novos «editores» vêm da indústria do entretenimento, e aplicam ao livro a lógica do entretenimento, alheios a qualquer especificidade. Todos os produtos se equivalem, e as editoras tornam-se «fábricas de sapatos», diz o decepcionado Schiffrin.
Para as pequenas editoras, a vida A.C. («after conglomerates») é previsível: «num primeiro momento, o grupo comprador publica uma declaração entusiástica, elogiando a editora comprada e prometendo manter as suas gloriosas tradições; garantem que não haverá nenhuma modificação importante, e que, na medida do possível, não haverá despedimentos.» Depois, vêm «alguns cortes», «absolutamente necessários para a eficácia», depois umas «fusões», em nome da «racionalização» e do «sucesso». E o resultado é sempre o mesmo, acabar com a autonomia editorial, fazer editoras sem editores."

Crónica de Pedro Mexia na Revista LER - Edição de Abril (2012)

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